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Técnico de enfermagem denuncia hospital em MT por ser obrigado a trabalhar em UTI mesmo sendo de grupo de risco

O profissional relatou que após se recusar a ir para a UTI, o gerente de enfermagem do hospital disse que o denunciaria ao conselho de ética e descontaria do salário e 13º dele.

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Um técnico de enfermagem, de 40 anos, que trabalha no Hospital São Luiz, em Cáceres, a 250 km de Cuiabá, registrou um boletim de ocorrência por ter sido obrigado a trabalhar em leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) mesmo fazendo parte de grupo de risco de contágio da Covid-19, por ser hipertenso.

A direção do Hospital São Luiz (HSL) esclareceu por meio de nota, que o profissional trabalha na unidade há 11 anos e foi treinado e capacitado para atuar em sua área de formação. Informou também que a unidade não possui histórico de notificação ou atestado relacionado a outras doenças do colaborador e que a equipe responsável pelo atendimento aos pacientes com Covid-19 cumprem os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

De acordo o boletim, no último dia 21 o técnico assumiu o plantão noturno no hospital, no setor de emergência. O homem relatou que o gerente de enfermagem da unidade ligou para a enfermaria solicitando um técnico para cobrir a ala de UTI Adulto.

Ele informou que a equipe já estava desfalcada, com apenas três técnicos e uma enfermeira. Nenhum dos técnicos quis ir para a UTI, devido o desfalque da equipe e a inexperiência naquele setor. Foi feito um sorteio e ele foi chamado na emergência.

Após se recusar ir até o local por ser hipertenso e fazer parte do grupo de risco de contágio do novo coronavírus, o gerente de enfermagem do hospital o chamou numa sala a parte, disse que faria uma notificação, denunciaria o profissiomal para o Conselho Federal de Enfermagem (Confen), e que descontaria parte do salário dele, férias e 13º no plantão.

O gerente acompanhou o técnico até o local de registro de ponto e mandou ele voltar no dia seguinte. Segundo o boletim de ocorrência, o denunciante também afirma que o hospital não está fornecendo os equipamentos de segurança individual necessários. Ele cita que uma resolução do Cofen respalda a recusa dele em exercer a função em casos de falta de aptidão ou falta de segurança.

TEXTO: G1 MT

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