Índio de 102 anos é curado da Covid-19 após 15 dias internado em MT

Tobias Tserenhimi’rãmi, os três três filhos e a nora foram diagnosticados com o novo coronavírus e se curaram após uso de medicamentos químicos e raízes nativas.

28 de Julho de 2020 ás 10h 54min

Um indígena de 102 anos foi curado da Covid-19 depois de ficar 15 dias internado em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Tobias Tserenhimi’rãmi é da etnia Xavante e, além dele, três filhos e uma nora foram diagnosticado com a doença e curados.

O novo coronavírus chegou nas aldeias da etnia entre maio e junho. Nesse período, Tobias e toda a família foram contaminados e passaram a fazer tratamento com medicamentos químicos recomendados pelo médicos e raízes nativas encontradas no território Xavante.

O filho de Tobias, Xisto Tserenhi’ru, de 50 anos, contou ao G1 que ele e a mulher foram os primeiros a sentir os sintomas da Covid-19. Dias depois, toda a família já apresentava sinais de que também estavam com a doença.

Segundo Xisto, a família buscou atendimento nos polos bases de saúde nas aldeias e foram medicados. Mesmo com o tratamento, eles não apresentaram melhoras significativas.

Quando percebemos que era grave, procuramos raízes nativas para tentar tratar e espalhamos para todos os Xavantes. Passamos a tomar os chás e os medicamentos juntos. Logo depois, melhoramos, contou.

Já Tobias, devido à idade e a outros problemas de saúde, precisou ser levado para um hospital da cidade.

Ele foi para tratar a perna dele que estava inchada, porque ele tem trombose. O médico pediu exames e aí ele foi diagnosticado com o vírus e o isolaram. Ficou duas semanas no hospital e quando voltou para a aldeia estava muito pálido, então o alimentando com comidas naturais. Agora estamos todos bem, relatou.

A comunidade Xavante tem cerca de 22 mil índios. Até sexta-feira 25, eram 313 contaminados pelo novo coronavírus e 30 mortos em decorrência da Covid-19, conforme dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena Sesai.

Sufoco

 

Tobias relatou que o povo Xavante foi pego de surpresa com a chegada do novo coronavírus nas aldeias.

O indígena disse ainda que a chegada do vírus mudou a rotina dos indígenas. Festas culturais e encontros religiosos, já previstos no calendário, precisaram ser suspensos até outubro.

Temos que compreender que este vírus veio para ficar, assim como as demais doenças que temos. Não vai morrer tão fácil, ele vai ressurgir e temos que estar atentos com isso. Temos que saber evitar, ressaltou.

Fonte: G1 MT

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