PANDEMIA DESCONTROLADA: Mauro vê momento de guerra em MT e vê erros estratégicos nas cidades

Política 03 de Julho de 2020 ás 13h 20min

O governador Mauro Mendes (DEM) apontou que erros estratégicos resultaram num aumento de 500% nos casos de covid-19 e de 900% nos registros de mortes pela doença do Estado no último mês. Também criticou a população por causa do baixo índice de isolamento social registrado, medida apontada pelas autoridades sanitárias como a mais eficaz para contar o avanço e contágio do novo coronavírus.

Mauro Mendes concedeu entrevista à Globo News na manhã desta sexta-feira e além de lamentar a situação, também falou sobre as novas medidas adotadas. Dentre elas, estão parcerias com prefeitos para criar novos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) exclusivos para tratar pacientes com covid-19 e orientação aos municípios quanto a classificação de risco, que vai de baixa a muito alta e demanda diferentes níveis de restrições e atitudes mais drásticas. "É lamentável, nós registramos nos últimos 15 dias um número muito crescente de casos e também de mortes em nosso Estado. Primeiro, isso se deve ao pequeno nível de isolamento social que está acontecendo em Mato Grosso. Nós vimos nos últimos 30 dias com um nível de atividade econômica muito normal, pouco distanciamento", disse o governador. Mauro disse que o atual estágio da contaminação do novo coronavírus no Estado é comparado a uma guerra. "Todo mundo tem que fazer seu papel num momento de guerra. E nós estamos vivendo um momento de guerra. O prefeito tem que fazer o papel dele, o Governo Federal, o Ministério Público e o próprio Judiciário. Eu como governador, não posso ficar fazendo decreto de cidade a cidade, de acordo com a realidade da contaminação, até porque existe uma decisão do nosso Tribunal de Justiça dizendo que quem toma as medidas são os prefeitos", argumentou Mendes.
Conforme o gestor, lá no início da pandemia quando foi registrado o primeiro caso da doença, alguns prefeitos se precipitaram e decretaram paralisação total do comércio. "Isso causou muito transtorno num momento que não precisava, porque nós tínhamos apenas um ou dois casos e as UTIs estavam vazias. Agora que nós precisamos, nas últimas semanas, de ter realmente um nível de distanciamento maior existe uma resistência da população e até de alguns de prefeitos, em adotar as medidas adequadas para esse momento", afirmou Mauro Mendes. Ele voltou a lamentar o rápido aumento de registros e mortes, mas ponderou que o Governo do Estado está adotando muitas medidas. "Estamos aumentando leitos de UTIs. Estamos inaugurando essa semana 20 UTIs, tem outras 30 para inaugurar nos próximos dias e junto com prefeituras do interior estamos trabalhando para mais de uma centena de UTIs. E, paralelamente a isso estamos trabalhando muito na prevenção", ponderou. Conforme o governador, o tratamento precoce no início da doença é um ótimo caminho para evitar que as pessoas cheguem nos hospitais muito graves. "Hoje estamos recebendo pacientes nos hospitais com 50, 60, 70% dos pulmões comprometidos e isso torna muito difícil a recuperação pelos profissionais médicos nas UTIs', argumentou. CLASSIFICAÇÃO DE RISCO Mauro Mendes ressaltou que não pode ficar fazendo um decreto para cada cidade, pois a realidade de contaminação é diferente em cada um dos 141 municípios. "Temos cidades sem qualquer caso, ou alguns tiveram casos, mas estão livres. Hoje, o Estado divulga classificação de risco e recomendação para cada prefeito implementar em função da classificação, se é baixo, alto, moderado ou muito alto”, lembrou. CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE Nas duas maiores cidades de Mato Grosso, a classificação aponta para risco “muito alto”, o que demanda medidas de restrição mais rígidas como fechamento total do comércio, com exceção das atividades essenciais, uso obrigatório de máscaras e distanciamento social, e higienização constante das mãos com uso de álcool em gel e lavagem usando produtos adequados como sabão e sabonete. "No caso de Cuiabá, Várzea Grande, o que aconteceu foi isso. O Governo soltou um decreto que dizia exatamente a medida que deveria ser tomada nos municípios com risco muito alto e os prefeitos não tomaram essa decisão", alegou o governador sem poupar críticas ao prefeito Emanuel Pinheiro. "Especificamente em Cuiabá, ele não tomou porque lá atrás quando tínhamos um caso ele mandou fechar tudo. E aí estressou o comércio, gerou todos os efeitos colaterais que sabemos que tem essa paralisação, mas é um remédio amargo necessário aplicar no momento correto. Nós recomendamos isso e o prefeito não queria tomar porque ele parou lá atrás, no momento errado, e não queria parar agora no momento certo", afirmou o chefe do Palácio Paiaguás. Dessa forma, Mendes justificou a intervenção do Tribunal de Justiça que acolheu pedido do Ministério Público Estadual e mandou que fosse decretada uma quarentena coletiva de 15 dias em Cuiabá e Várzea Grande. "Aí a Justiça determinou que ele e alguns outros prefeitos que estavam resistindo", observou o governador ponderando, no entanto, que hoje uma grande parte dos prefeitos está seguindo o decreto estadual e adotando medidas restritivas mais rígidas de acordo com a classificação de risco em função de grau de contaminação e velocidade que ela vem crescendo. EPICENTRO DA COVID-19 Mato Grosso foi considerado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) como o epicentro da covid-19 no Brasil. De acordo com o balanço mais recente, já são 18.356 casos confirmados e 706 mortes pela doença causada pelo novo coronavírus. No Estado, em apenas um mês, o número de mortes saltou de 67 para 665.   texto: folha max

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