O MISTÉRIO SAMUEL: Mãe de garoto desaparecido vive 1 ano de dor e esperança

Hoje com sete anos, o garoto sumiu em Rondonópolis após sair de casa sem ninguém ver; caso permanece sem pistas concretas

18 de Outubro de 2020 ás 09h 00min

Um ano após o desaparecimento de Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho, à época com 6 anos, a mãe da criança, Anelice da Silva Gomes, de 24 , mantém a esperança de encontrar o filho com vida.

 

Samuel sumiu no dia 20 de outubro de 2019, um domingo, em Rondonópolis, e desde então seu caso se tornou um grande mistério. Mesmo após um ano do desaparecimento, a Polícia não tem pistas do que pode ter acontecido com o garoto. À época o menor estava morando com sua avó, Lucineide da Silva Gomes, e tinha o costume de passar a tarde brincando com amigos na rua, no Bairro Jardim Iguassu.

Na ocasião Samuel pulou o muro de sua casa quando não havia ninguém por perto e desde então não foi mais visto. A avó da criança só notou sua ausência por volta das 14h e, imediatamente, começou a procurar pelo neto na região e na casa dos colegas, para onde normalmente ele ia. Algumas horas depois, já preocupada e sem notícias, Lucineide entrou em contato com a filha.

 

“Foi por volta das 15h30. Minha mãe que ligou falando que ele tinha sumido. Ela disse: ‘Anelice, Samuel sumiu, até agora não achei esse guri, onde será que ele está?’. No começo eu não acreditei, achei que ele poderia estar na casa de uma amiguinho”, conta Anelice.

 

A descrença veio justamente pela rotina do garoto, descrito como animado e hiperativo. A mãe conta que Samuel já havia saído escondido de casa outras vezes para brincar com seus colegas. Em uma das situações, Anelice recebeu um telefonema da mãe, parecido com aquele do dia 20 de outubro, mas no final ela retornou avisando que havia achado o menino brincando na casa de um amigo. No entanto, o alívio da outra ocasião não se repetiu naquele dia.

 

Momentos depois, já com uma mobilização dos moradores e a Polícia acionada, Anelice conta que começou a se dar conta de verdade que o filho havia sumido. Ela conta que nunca havia lhe passado pela cabeça algo assim acontecer com sua família, ainda mais no local onde ela morava desde pequena. A mãe relata que era costume sair para brincar na rua sem se preocupar, por isso a possibilidade de ter seu filho sequestrado não era algo que acreditava ser possível.

 

“Quando percebi que ele realmente havia desaparecido entrei em choque e ao mesmo tempo em desespero, ainda não queria acreditar. Lembro que em seguida começou uma chuva muito forte e já comecei a pensar em coisas ruins, com meu filho sozinho por aí”, recorda.

 

Investigações e pistas falsas

 

Desde o primeiro dia do sumiço de Samuel, a Polícia se mobilizou e iniciou as investigações. Diversas testemunhas foram ouvidas, entre vizinhos, familiares e funcionários da escola onde a criança estudava. Aliado a tudo isso, ainda houve inúmeras divulgações em redes sociais e na imprensa.

No entanto, apesar da enorme mobilização, os investigadores não conseguiram encontrar nada que explicasse o que havia acontecido. O desaparecimento era certo, porém não havia indícios que apontassem possíveis suspeitos que confirmassem a hipótese de sequestro.

 

Além da ideia do rapto, os investigadores também trabalhavam com a possibilidade de Samuel ter se afogado após a forte chuva que assolou Rondonópolis na data do desaparecimento e no dia seguinte. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi chamada e as equipes de busca vasculharam rios, bueiros e galerias pluviais, porém nada foi encontrado novamente.

 

Com os dias passando e sem notícia, a angústia da família foi crescendo. Com o caso repercutindo em todo o Estado, pessoas anônimas começaram a se aproveitar da situação e faziam trotes para Anelice e sua família, passando informações falsas sobre Samuel. Em uma das ocasiões chegaram a mandar fotos falsas da criança ferida.

 

“Teve muita ligação, pessoas dizendo que estavam com ele e queriam dinheiro. Teve um que chegou até a mandar a foto de uma pessoa com a orelha cortada. Me lembro que estava conversando em casa e aí, quando abri a porta, estava cheio de policiais aqui. A foto parecia com ele, era uma imagem com o rosto de lado e aparecia a orelha cortada, mas a Polícia investigou e disse que era trote”, relembra.

 

Em outra ocasião, também circularam nas redes sociais informações de que pessoas haviam visto o garoto com uma mulher loira pegando um ônibus para Guiratinga. Porém, assim como da vez anterior, os investigadores informaram que eram notícias falsas. A situação mais recente de pista enganosa ocorreu em setembro deste ano, quando um homem entrou em contato com Anelice e informou que achava que havia visto seu filho com uma família no município de Campo Verde.

 

“O vizinho dessa mulher me ligou falando que havia um menino lá muito parecido com o Samuel, mas que não tinha conseguido tirar foto para me mandar. Então, eu passei todas as informações que o cara estava falando aos investigadores, mas no final não era o meu filho. Isso é ruim demais, porque a gente fica pensando o pior”, explica.

 

Segundo a mãe, hoje a Polícia afirma que não tem uma linha de investigação, justamente pela falta de informações, mas permanecem atentos para qualquer nova pista. A delegada responsável pelo caso inclusive se pronunciou pela assessoria, afirmando que a ajuda da população era crucial neste momento.

Sentimento da família

 

Anelice afirma que o sumiço do filho deixou uma marca permanente na família. Se antes era inimaginável uma situação desta acontecer, hoje ela se vê traumatizada e sempre com medo que algo semelhante aconteça com seus outros três filhos.

 

Hoje ela relata que não pode ver crianças brincando sozinhas na rua que já fica preocupada e ansiosa. Ela conta que mais de uma vez já parou e alertou os menores para não ficar sem a supervisão de um adulto. Além disso, constantemente conversa com o filho de 5 anos, explicando sobre a possibilidade de sequestro de uma maneira que o garoto entenda o perigo.

 

“Conversamos, falamos que não pode ficar na rua porque se não os outros levam para longe da mamãe. Que nunca mais vai ver. Ele, quando vê as fotos do Samuel, já aponta e fala: ‘Sumiu, sumiu’”, explica.

 

Apesar da dor constante, Anelice e sua mãe mantêm a esperança de encontrar Samuel com vida e bem. Elas contam que o quarto do menino permanece o mesmo, apenas aguardando sua volta para casa. Anelice ainda brinca dizendo o quanto o filho era mimado pela avó, que sempre fazia suas vontades, e afirma que como Samuel estará maior quando for encontrado, ela e a mãe já disseram que vão se endividar, mas comprarão tudo novo para o menino.

 

“Só peço para que se alguém vir ou souber de alguma informação, que ligue para Polícia e avise, porque nós estamos sofrendo demais. Ele é meu primeiro filho, o primeiro neto da minha mãe, a alegria da casa. É doído demais viver esta situação, muito difícil. Mas a esperança é muito viva, ele vai voltar”, finaliza.

Fonte: Midia News

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