Técnico de enfermagem denuncia hospital em MT por ser obrigado a trabalhar em UTI mesmo sendo de grupo de risco

Opinião 30 de Abril de 2020 ás 19h 45min

Um técnico de enfermagem, de 40 anos, que trabalha no Hospital São Luiz, em Cáceres, a 250 km de Cuiabá, registrou um boletim de ocorrência por ter sido obrigado a trabalhar em leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) mesmo fazendo parte de grupo de risco de contágio da Covid-19, por ser hipertenso.

A direção do Hospital São Luiz (HSL) esclareceu por meio de nota, que o profissional trabalha na unidade há 11 anos e foi treinado e capacitado para atuar em sua área de formação. Informou também que a unidade não possui histórico de notificação ou atestado relacionado a outras doenças do colaborador e que a equipe responsável pelo atendimento aos pacientes com Covid-19 cumprem os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

De acordo o boletim, no último dia 21 o técnico assumiu o plantão noturno no hospital, no setor de emergência. O homem relatou que o gerente de enfermagem da unidade ligou para a enfermaria solicitando um técnico para cobrir a ala de UTI Adulto.

Ele informou que a equipe já estava desfalcada, com apenas três técnicos e uma enfermeira. Nenhum dos técnicos quis ir para a UTI, devido o desfalque da equipe e a inexperiência naquele setor. Foi feito um sorteio e ele foi chamado na emergência.

Após se recusar ir até o local por ser hipertenso e fazer parte do grupo de risco de contágio do novo coronavírus, o gerente de enfermagem do hospital o chamou numa sala a parte, disse que faria uma notificação, denunciaria o profissiomal para o Conselho Federal de Enfermagem (Confen), e que descontaria parte do salário dele, férias e 13º no plantão.

O gerente acompanhou o técnico até o local de registro de ponto e mandou ele voltar no dia seguinte. Segundo o boletim de ocorrência, o denunciante também afirma que o hospital não está fornecendo os equipamentos de segurança individual necessários. Ele cita que uma resolução do Cofen respalda a recusa dele em exercer a função em casos de falta de aptidão ou falta de segurança.

TEXTO: G1 MT

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