Com 2.825 pontos de incêndio, Pantanal tem pior outubro da história, indicam dados do Inpe

Recorde foi batido a 3 dias do fim do mês. Número mais alto anterior para o mês era de 2002, quando foram registrados 2.761 pontos de fogo no bioma, segundo monitoramento do instituto, que começou em 1998.

FOGO NO PANTANAL 29 de Outubro de 2020 ás 09h 31min
FOTO- REPRODUÇÃO

O Pantanal já tem o pior mês de outubro em focos de incêndio da história: desde o dia 1° até a quarta-feira (28), foram registrados 2.825 pontos de fogo no bioma, segundo dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

O recorde até então para o mês era de 2002, quando haviam sido registrados 2.761 focos. O monitoramento do Inpe começou em 1998.

 

Os focos de outubro também já haviam ultrapassado, 15 dias antes do fim do mês, o total visto no mesmo período do ano passado.

 

As altas de outubro vêm depois de o bioma ter a pior quantidade de incêndios mensais na história – para qualquer mês – em setembro. Antes disso, nos primeiros 17 dias de setembro, os recordes para aquele mês já haviam sido ultrapassados.

 

O bioma também registrou o pior julho e o segundo pior agosto da história; em setembro, este ano se tornou o pior em número de pontos de fogo no Pantanal. Até 2018, o bioma era o mais preservado do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Antes do mês passado, o acumulado mais alto havia sido registrado em 2005, com 12.536 focos em todo o ano . A alta neste ano já é de 68%.

 

O Pantanal enfrenta a sua pior seca em 47 anos – o que contribui para o alastramento do fogo. O bioma pantaneiro é a maior planície alagada do mundo, mas, quando não chove, a planície não alaga, o que permite que o fogo se espalhe.

 

                                                                                

 

A chuva vista recentemente na região fez os números de focos de incêndio caírem bastante em alguns dias, mas especialistas alertam que o Pantanal deve demorar a se recuperar.

 

"Não vai ser uma chuva que vai transformar a condição de seca. Os impactos causados por essa longa estiagem vão atuar ainda algum tempo na região", afirma o pesquisador Marcelo Parente Henriques, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública brasileira.

 

O solo – que oscila entre vegetação e sedimento, segundo Henriques – vira uma biomassa que fica como uma turfa apodrecida, "um excelente material para queima", diz o especialista.

 

Com atribuições do Serviço Geológico do Brasil, a CPRM monitora, entre outros dados, os níveis dos rios brasileiros. Segundo o último boletim do serviço, do dia 22, os níveis do Rio Paraguai, que é responsável pela inundação do Pantanal, ficaram estáveis pela primeira vez depois de quedas que duraram até a semana anterior.

 

O número de focos de incêndio na Amazônia também vem alcançando altas históricas: as queimadas na floresta este ano já ultrapassam as vistas em todo o ano passado. De janeiro até quarta-feira (28), o bioma tinha registrado 91.873 pontos de incêndio, 2.697 a mais do que os contabilizados de janeiro a dezembro de 2019.

 

Além disso, o acumulado de pontos de fogo na floresta vistos de janeiro a setembro foi o maior desde 2010.

 

Os dados de queimadas têm causado embates com o governo federal.

 

No mais recente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que não era possível avistar "nada queimado" ou "selva devastada" em um voo entre as cidades de Manaus e Boa Vista.

 

Dados do próprio governo, entretanto, mostram que essa rota cruzaria o céu da cidade em Roraima com mais focos de queimadas neste ano: Rorainópolis.

 

Além disso, o voo passaria por municípios que acumularam 20,5 mil hectares de desmatamento de agosto de 2018 a julho de 2019: Presidente Figueiredo (AM), Caracaraí (RR) e a própria Rorainópolis.

Fonte: G1 MT

Comentários