Após morte por defeito em airbag envolvendo um Chevrolet Celta, GM convoca recall de 235 mil veículos

Polícia de Sergipe concluiu que motorista morreu após ter o pescoço cortado por peças de airbag da Takata. Além do Celta, Classic também foi convocado.

25 de Julho de 2020 ás 14h 42min

A General Motors, dona da Chevrolet formalizou nesta sexta-feira (24) o recall de 235.845 veículos dos modelos Celta e Classic para troca do airbag do motorista.

A convocação acontece 8 dias depois de a Polícia de Sergipe concluir que o motorista de um Celta 2014 morreu em um acidente após ser ferido no pescoço por um objeto metálico projetado do airbag. Esta é a primeira morte no Brasil em decorrência dos airbags mortais da Takata.

G1 antecipou que o Celta nunca havia sido convocado para qualquer recall relacionado a esta falha.

Veja abaixo os detalhes da campanha de recall:

Chevrolet Celta

 

  • Número de unidades: 91.573
  • Data de produção: entre 22 de agosto de 2012 e 15 de abril de 2015
  • Modelos: 2013 e 2016
  • Chassis: entre DG124288 e GG100849

Chevrolet Classic

  • Número de unidades: 144.272
  • Data de produção: entre 04 de julho de 2012 a 10 de junho de 2016
  • Modelo: 2013 e 2016
  • Chassis: entre DB186193 a GR160004

De acordo com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, os proprietários desses veículos devem entrar em contato a rede Chevrolet para agendar a substituição do airbag do lado do motorista.

O atendimento terá início a partir de 5 de agosto, será gratuito e tem o tempo estimado de até 1 (uma) hora.

G1 procurou a Chevrolet, que confirmou o recall. A empresa disse que não fará outros comentários sobre o caso.

 

Entenda o caso

 

Acidente com o Chevrolet Celta  — Foto: Reprodução

 

O acidente com o Celta 2014 em Aracaju aconteceu em 20 de janeiro. Só que as investigações só foram concluídas na última semana. De acordo com o laudo da polícia sergipana, o Celta utilizava airbags da fabricante japonesa Takata.

A empresa está envolvida em um escândalo que provocou a morte de dezenas de pessoas no mundo e a convocação do maior recall da história, envolvendo mais de 100 milhões de veículos.

Só no Brasil, 4 milhões de exemplares já foram chamados pelas suas fabricantes para corrigir a falha.

Airbag da Takata do Celta envolvido em um acidente que matou o motorista em Aracaju — Foto: Reprodução

Sobre o Celta, a GM não respondeu se o modelo saía de fábrica com as bolsas da empresa japonesa. No entanto, a loja oficial da empresa no Mercado Livre chegou a oferecer a peça da Takata.

A fabricante já havia convocado quase 300 mil veículos dos modelos Sonic, Tracker, Cruze, Agile e Montana para recall por este defeito. Mas nunca Celta e Classic.

Após o caso ser publicado, na quarta-feira da última semana, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) afirmou há uma semana que iria investigar se o modelo deveria passar por recall.

Processo aberto

Segundo o Ministério da Justiça, a GM alegou que teve conhecimento a respeito do acidente ocorrido em Aracaju, em 15 de julho de 2020, decorrente de falha no airbag, que resultou na morte do consumidor que conduzia o veículo Celta.

O órgão disse ainda que a GM afirmou que entrou em contato com os proprietários do veículo, mas não teve sucesso até a presente data. Além disso, comunicou o início das investigações sobre a relação do acidente com o recall dos airbags Takata, mas ainda não possui conclusões a serem apresentadas.

Por fim, a pasta ainda afirma que não há pronunciamento do fornecedor acerca de eventual relação entre o acidente ocorrido no Estado de Sergipe e a campanha de recall.O processo aberto pelo MJ está em fase de averiguação preliminar, quando são levantadas provas e informações.

Caso o órgão encontre indícios de infração por parte da GM, é possível que seja aplicada sanção de multa em eventual decisão, se infrações aos direitos dos consumidores forem confirmadas. Neste caso, a sanção poderá chegar superar R$ 10 milhões.

Airbags mortais

 

O acidente que matou o motorista do Celta é o primeiro caso de morte no Brasil em decorrência dos "airbags mortais" da Takata. O caso aconteceu em 20 de janeiro, em Aracaju.

Sete dias depois, no Rio de Janeiro, o motorista de um Honda Civic 2008 também morreu com ferimentos causados pelo airbag. Na ocasião, quem divulgou a ocorrência foi a própria Honda, que tem feito repetidas campanhas de conscientização para o defeito, além de estimular seus clientes a realizarem o recall.

No total, há 41 casos conhecidos de explosão de airbags no Brasil, 39 da Honda, 1 da Toyota e 1 da Chevrolet, com 16 feridos e 2 mortos.

Em todo o mundo, há ao menos 25 mortes e 300 feridos relacionados à falha, de acordo com agência Reuters.

O problema está em uma peça defeituosa chamada insuflador. Ela é um tipo de caixa metálica que abriga o gás que faz a bolsa de ar inflar.

Vítima de airbag da japonesa Takata  — Foto: Gary Cameron/Reuters

Vítima de airbag da japonesa Takata — Foto: Gary Cameron/Reuters

O defeito nessa peça causa uma abertura forte demais quando o airbag é acionado. Além disso, a falha gera trincas no insuflador e, com a explosão do airbag, ele se estilhaça, atirando pedaços de metal contra os ocupantes, causando ferimentos que podem ser fatais.

A quebra do insuflador e a forte explosão do airbag resultam de uma combinação de 3 fatores.

Os airbags da Takata usam nitrato de amônio para fazer a bolsa de ar abrir. O nitrato, por si só, é relativamente pouco explosivo. Ele se apresenta como um pó branco e é seguro, desde que não aquecido. O risco é maior após longa exposição do carro ao calor ou a ambientes úmidos.

A montagem do dispositivo da Takata permite que a umidade penetre no airbag e corrompa partes metálicas, que se quebram na explosão, rompem a bolsa e atingem os ocupantes.

 

Fonte: G1

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